16 agosto 2011

é a explicação que eu posso dar, e meu pedido de desculpa vai embutido. :)


"Quer saber de uma coisa? Não tenho nada de complicado não, não há nada estranho em mim, a não ser essa porra dessa complicação que eu inventei, porque de outro jeito, eu não saberia me justificar dessa falta de habilidade em administrar a permanência das coisas na minha vida. Como eu iria convencer a mim e aos outros que tudo que me escapa pelos dedos é simplesmente porque permito?

A minha fragilidade desmascarada, meus defeitos banalizados, eu não podia, melhor que me achassem dessas pessoas, cheia de birutices e complexidades tão sacais. Um grande disfarce pro simplérrimo que mora em mim, porque eu sou tão sentimental, eu amo tanto, eu quero tanto, eu choro tanto, eu sofro tanto, sou somente mais uma alma dessas que se fodem todinha.

Essas dificuldades de conservação das coisas têm outras explicações, e pra isso precisei de um pouco dos esclarecimentos extraídos da terapia que eu quase finalizei, porque quase desvendaram que a culpa de tudo estava na minha mãe ou talvez no meu pai, ou naquele amor que tive aos nove anos, não correspondido.

Mas antes de tomar conhecimento profundo de quem eu era, cortei a terapia, me dei alta rapidamente, com medo de me descobrir tão comum. O fato é que não sou esse ser racional, frio e consequente sempre. Não há essa personalidade autosuficiente que eu sempre quero aparentar.

É que eu me desinteresso fácil sabe?  Desapego-me.  Assim, automático. Tão comum aos loucos, tão comum aos descomplicados. Um desinteresse que eu mascarava de coerência. O detalhe é que fui amargando uma realidade até então desconhecida, que acontece toda vez que me deparo com alguém que precisa de mim.

Tenho pânico por pessoas que necessitam dos meus cuidados, das minhas atenções dobradas, das minhas palavras conexas, da minha presença durável, do meu estar perto. Quando isso acontece, eu padeço; assusto-me; como doi sentir-se no comando da felicidade do outro, e não ter talento pra tanto, não há essa força em mim, eu não quero ter essa força.

E como é foda depois, quando eu me sinto que nem um cachorrinho que cai da mudança, no momento que aquele alguém que precisava de mim pra respirar, anuncia que não precisa mais, porque é justamente aí que preciso desesperadamente dele. Talvez eu devesse apelar aos que chegam perto, antes do inevitável acontecer:  Por favor, não precise de mim!

Não precise nunca de mim, nunca, não me deixe supor que a sua existência estar amarrada a mim, que você não será feliz caso eu não corresponda suas expectativas. Por favor, me deixe apenas acreditar que sua vida só ficou um pouco melhor do meu lado, não me dê amor desmedido, não me dê sua vida em minhas mãos.

Entenda, não é por mal, não sou má pessoa, eu só não sei como usar isso, não sei governar, não sei o que fazer com tanto poder. Eu quero sim cuidar de você e te dar um amor inteiro, mas não me faça achar que você precisa disso pra continuar.

E eu te prometo tentar não ruir, prometo tentar não perecer, prometo sim ser o que você precisa, sem que você realmente precise. A minha incapacidade pode até ser mesmo filha da puta, mas por trás dela tem apenas alguém que precisa mais do que tem pra dar.

Quando você sair da minha vida, porque cansou de me dá o que não sei retribuir, vou amaldiçoar estar no mundo sem você, mas vou amaldiçoar muito mais ainda, ter que retornar a terapia pra continuar buscando quem eu já conheço."

Desconheço o autor, mas o texto foi indicação da minha amiga Samya Camargo. Lembrou de mim não foi à toa, né, amiga? Achou um resumo da minha personalidade suuuuuuuuper "complicada". Te amo! Saudade.